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Esta coluna foi iniciada no jornal "Diário do Sul" na segunda-feira, dia 24 de Outubro de 2005, e pretende abordar, semanalmente, questões do futebol que parecem ser inéditas mas que afinal são questões de todos os tempos.

Muito se escreve por vezes, muita discussão suscita, muitos comentadores são ouvidos nas discussões do futebol.


 

 

 Data:

 Quase nada é novo no futebol

 

O único que não pode errar!
 


Hoje vamos transcrever quase na integra um artigo publicado pelo Mestre Joaquim Campos em 1957 sobre um tema actualíssimo a dualidade de critérios que segundo aquele conhecedor dos temos da arbitragem é o corolário de paixões e do desconhecimento das leis.
Vamos então ler com atenção o que escrevia o Mestre Joaquim Campos nos finais do anos cinquenta:
“ Os árbitros são considerados hoje por essa plêiade de indivíduos verdadeiros obreiros das derrotas das suas equipas, homens se escrúpulos, olhados com desdém e ameaçados a cada passo que dão na rua, enxovalhados e criticados infimamente por pessoas sem um mínimo de cultura só porque vêem nele o culpado de todo o estendal de insucessos do clube com o qual sonham e pelo qual são capazes de tudo.
Comentam o labor do árbitro, indivíduos que nunca se deram ao trabalho de abrir uma única vez o Regulamento pelo qual se rege o futebol, que se indignam e ameaçam o juiz de campo só porque os espectadores que estão sentados à sua volta vociferam e clamam contra a acção do director da partida.
Não vale a pena perguntar-lhes porque protestam pois a desilusão seria total. Dizem que há um ror de tempo a que aquele senhor anda na arbitragem só para prejudicar o seu clube, que leva a tabela da classificação no bolso do seu casaco de árbitro, inventam coisas a seu respeito só com o fito de os difamarem, argumentam mil e um motivos para os colocarem em plano de descrença e desconfiança.
Às exclamações de desespero por um golo mal perdidos sucedem-se imediatamente a absolvição do jogador que falhou o remate só porque este ficou a olhar para a bota como que a considera-la culpada, foi infeliz porque acertou mal na bola, porque a relva estava ali mais levantada ou um ressalto caprichoso roubou-lhe a possibilidade de êxito no disparo.
Deitam as mão à cabeça quando o guarda redes consentiu um golo facilmente evitável mas saltam em sua defesa, e até dão uma salva de palmas quando colega lhe passa a mão pelas costas para o confortar, afirmando que ele não poderia ter visto partir o remate porque estava encoberto, que escorregou quando se preparava para defender, que o pontapé levava efeito, etc. Enfim que houve infelicidade no lance.
Porém, se o árbitro falha na marcação de uma grande penalidade, se assinala um fora de jogo que não existiu, se considera legal um golo falso ou anula um que a todos parece válido, então já não é infeliz, mas sim desonesto.
Estão na moda as claques mimosearem o juiz de campo com tão pouco dignificante piropo e com a sem cerimónia que o fariam a apoiar a sua equipa. Para eles o árbitro é a única pessoa que não pode errar.
A perfilhar a doutrina de tais senhores, uma vez que não há ninguém que não erre, teríamos um Mundo formado por desonestos.
Desonesto seria o empregado que se serve da borracha para apagar uma conta mal feita porque a fez errada; desonesto seria o comerciante que falha uma transacção quando a imaginava de fins lucrativos e ela deu prejuízo; desonesto seria o técnico que introduziu uma táctica errada na sua equipa que a levou à derrota.
Nunca se soube nem nunca se quis por em equação que se o avançado não falha um golo certo de maneira propositada ou o guarda redes deixa entrar um golo infantil só pelo prazer de ver a bola colada ás malhas, também o árbitro não se considerará lisonjeado por falhara nas suas decisões que não só afectarão o seu prestigio como também enfraquecerão o seu conceito”.
A agora digam-se mudou alguma coisa desde 1957 até hoje? Sim, no tempo de Salazar, não havia corruptos, só desonesto.
 

 

 

 

 Data:

 Quase nada é novo no futebol

 

Há dirigentes e dirigentes
 

No futebol tudo é fugaz, uma vitoria saboreia-se no momento, um carreira de futebolistas é mais ou menos longa mas o estrelato é efémero, o estado de graça dos dirigentes também é curto embora por vezes rapidamente os associados esqueçam o mau ou o bom trabalho que estes fazem em prol do clube e o volte a idolatrar ou não.
Por isso o desejável, é que todos tivessem em conta nas suas diversas actividades a luta por aquilo que não é efémero nem fugaz e que perdura para além dos atletas dos dirigentes dos jornalistas do árbitro. O futebol.
No futebol desde sempre há um elemento que ninguém quer e que todos querem passar para os outros. Esse elemento é a culpa.
Por isso mesmo no campo meramente desportivo há que arranjar sempre um culpado para quando as coisas não correm bem ou pelo menos ao desejo dos amantes do clube. É bem mais fácil a um dirigente passar a culpa de um mau resultado para a árbitro do que assumir que a sua equipa teve alguma culpa no resultado negativo.
João Gomes em 1964 dedicava uma palavras a este assunto e escrevia eles sobre este assunto “...nós sabemos todos muito bem que a vontade desses senhores seria que ganhasse sempre a equipa da sua preferência. Mas daí a atirar-se sempre para cima do árbitro a culpa do fracasso, vai uma grande distancia.
Além do mais, geralmente, o dirigentes desportivo não é pessoa com a isenção necessária para aceitar a derrota sem a atribuir ao director da partida. Em resumo : os dirigentes são por demais facciosos para se poder dar crédito às suas declarações”.
Estas palavras escritas em 1964, são de uma grande actualidade é que nunca como hoje se deu tanta importância a palavras que tão pouco importam ao futebol. Isto é muitas vezes os grandes títulos dos jornais desportivos, as grande manchetes, não trazem nada de novo nem de positivo ao futebol, são desabafos, insinuações ou mesmo tentativas de iludir os associados para o mau trabalho que os dirigentes por vezes estão a fazer.
Aqui muita da culpa vai direitinha para os jornalista que ao fim e ao cabo ampliam declarações cuja substancia não é nenhuma:
Mas, continuemos a analisar o artigo de João Gomes “...Assim como o árbitro no meio do campo não tem preferência nem simpatia por qualquer clube, também o dirigentes não as devia ter (estando investido de funções no próprio jogo, digo eu). Quer dizer: o que se exige ao árbitro em seriedade e imparcialidade, isenção, devia exigir-se também ao dirigente...”
E vai mais longe o articulista “ o futebol nacional vai mal não é por culpa dos árbitro. Nós bem sabemos que o problema é mais complicado do que parece à primeira vista, porque há certos clubes que ao indicar os seus elementos para os diversos departamentos desportivos entendem que eles vão para ali defender os seus interesses...”
Como estas palavras têm actualidade, este é um dos factores que descredibiliza o futebol, ontem como hoje e provavelmente como amanhã infelizmente continuam a haver em órgãos que comandam o futebol indivíduos, que não têm paixão pelo futebol, sofrem isso sim de uma paixão cega pelos seus clubes e isso não é nada bom, nada mesmo.
 

 

 

 

 

 Data:

 Quase nada é novo no futebol

 

Repetir ...repetir...repetir!
 

A repetição das imagens a chamada “câmara lenta” começou para se analisar a beleza das jogadas e tirar uma ou outra duvida sobre a forma como o lance tinha decorrido.
Hoje, ou melhor pouco tempo depois do “replay”, ter surgido começou logo a ser utilizado para ir até ao mais ínfimo pormenor na analise, não da beleza das jogadas, mas das pretensas irregularidades que tenham acontecido e logo fazendo sobressair os erros dos árbitros.
Entendo, que é bom que exista tecnologia que permita chegar-se o mais perto possível da verdade e assim evitarem-se os erros, contudo se por um lado está a tecnologia do outro está o ser humano e não há seres humanos perfeito logo todas as acções dos homens são passíveis de erros.
Este tipo de analise, que muitos hoje fazem, da relação entre o homem e as novas tecnologia, se estas devem estar ao serviço do homens ou contra o homem, tem sido muito debatida, nomeadamente no futebol desde há muitos anos.
Viajámos no tempo até l974 e fomos encontrar no Diário de Noticias um artigo de Fernando Pires sobre este tema e onde o articulista escrevia o seguinte:
“ Dizia-me no Domingo à noite, um camarada que o segundo golo do Sporting fora irregular. Dizia-mo com inteira convicção e estranhava que não partilhasse do seu parecer, tanto mais que sabia ter assistido ao desafio da tribuna de imprensa.
Na verdade, nada vi, quase posso assegurar, falando na pluralidade que nada vimos. Nesse lance Dinis-Tibi que deu o golo que fixou o resultado, nem no outro, Nelson-Tibi que também resultou em golo, mas que o árbitro César Correia, invalidou por carga sobre o guarda redes, como depois esclareceu.
Num, houve protestos, dos portuenses, tão espontâneos da parte de Rodolfo e de Ronaldo, não de Tibi, a pretensa vitima da falta, que talvez tenha o cunho de razão. No outro, nem protestos houve, os sportinguistas aceitaram a decisão, o que tanto pode ter sido por reconhecimento da carga irregular como de não valer a pena face ao 2-0 que se registava.
Fosse o que fosse, aquele meu camarada não tinha duvidas. Viu na televisão repetir-se a jogada uma, duas, três vezes e, finalmente à terceira descobriu o braço direito de Dinis a tirar a bola subtilmente a Tibi.
Tão subtilmente, a ter sido assim, que no campo, naquele instante, naquele relâmpago de tempo, ninguém notou a existência da irregularidade, com ressalva, a considerar a espontaneidade da reacção dos dois defesas do FC Porto- Rodolfo, que estava por detrás de Dinis e de Ronaldo que estava pela frente.
Foi naquele relâmpago de tempo que o árbitro teve de decidir. E decidiu sem hesitação, validando o golo, como sem hesitação invalidou o que seria o terceiro.
O árbitro não tem outros recursos ao seu dispor se não os da sua capacidade visual e dos seus reflexos. A decisão tem de ser imediata e sem deixar dúvidas, segura, firme, autoritária como se impõe a um juiz.
E, há que a aceitar com o melhor espírito desportivo, sem por em causa a seriedade do árbitro nem a justiça do seu julgamento...”
Como se vê este tema tem merecido discussão quase desde o seu inicio e estou em querer que vai continuar a suscitar muita polémica, o importante é que como escrevia Fernando Pires não coloquemos a infalibilidade do “replay” adiante da falibilidade do árbitro.
 

 

 

 

 

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 Quase nada é novo no futebol

 

Pela boca dos outros
 

Na vida quotidiana temos de desempenhar vários papeis, direi mesmo que cada vez temos de desempenhar cada vez mais papeis. A questão que se coloca é qual a atitude que temos de tomar em cada um dos papeis que somos chamados a representar. Por exemplo aqueles que enveredam pela carreira de árbitros e digo mesmo dirigentes correm muitas vezes o risco de serem vistos aos olhos da opinião pública de uma forma bem diferente daquilo que na realidade são.
Como quase todas as questões que aqui abordamos, esta questão não é nova e tem sido sempre colocada, sem que contudo seja difícil, para o cidadão comum separar o cidadão do árbitro.
Sobre este assunto já escrevia em 1960 Eduardo Carradinha “Um árbitro pode ser na vida particular cidadão exemplar e digno, um competente e honesto funcionário na sua vida profissional, ter uma vida sem mácula, a merecer o respeito dos seus concidadãos, possuir bagagem técnica à altura do desempenho das suas funções, ter a rapidez necessária para decidir rapidamente as incidências do jogo, pode enfim estar técnica, física e psicologicamente climatizado para corresponder aos que se espera da sua actuação. Durante a sua carreira deu provas da sua competência e idoneidade”.
Isto acontecia há 46 anos atrás e acontece hoje, nada mudou neste aspecto e num entanto ontem como hoje tal como escreve o articulista Carradinha “ Todo esse curriculum vitae, não chega contudo para evitar que em determinada altura seja atingido pelas criticas malévolas, que à volta do seu nome se levantem malsinações, a mais ligeira das quais será o de o acusar de favorecer propositadamente determinado clube, o que equivale a chamar-lhe desonesto. Quando nãos se propalam coisas piores ainda”.
Estamos aqui a falar de árbitros, mas poderíamos falar de dirigentes, e mesmo jornalistas, quantas e quantas vezes porque não se escreve, como não se apita a favor das cores do nosso clube, se acusam de desonestidade e muitas vezes de mentiroso determinados escribas, curiosamente, mesmo que não tenham razão raramente há um pedido de desculpa. E, quem fica com o epíteto de desonesto é o visado.
Enfim, sobre honestidade e desonestidade muita haveria para escrever e muito se tem escrito e continuando a fazer referencia ao nosso articulistas Eduardo Carradinha terminamos com uma referencia que ele faz sobre a honestidade .
A honestidade segundo Carradinha “ é uma coisa psíquica, interior, tem de ser revelada por actos, que são exteriores. E é nesta altura que a comparação com a mulher do Tribuno de Roma ( a mulher de César não basta ser séria tem de parecer) tem cabimento.
O procedimento do juiz de campo tem de se pautar por uma estrita obediência a certas normas. Dentro e fora do terreno. Antes e depois dos jogos. Até nas conversas com os seus amigos – tantas vezes deturpadas, com a passagem de boca a boca. Quem conta um conto, acrescenta um ponto”.
É assim que terá de ser e quem julga muitas vezes simplesmente pelo que se diz deve ter a capacidade de analisar não só o profissional, mas o homem, infelizmente ontem como hoje muitos a maioria fala sem saber do que está a falar ou melhor fala pela boca de outro, muitas vezes com interesses que vão muito além do jogo.

 

 

 

 

 Data:

 Quase nada é novo no futebol

 

Apitar e relatar!
 

Há pouco tempo atrás num jogo de futebol entre duas equipas alentejanas, vi um dirigente de uma das equipas a esbracejar na direcção à local onde estavam as rádios a fazer o relato do jogo.
Infelizmente é comum quando as coisas não correm bem a uma das equipas alguns dirigentes atribuem a culpa ao relator e ao comentador. Neste caso estes profissionais e o árbitro têm em comum como escrevia Mário Cília em 1960 “os juízos levianos e precipitados do público frequentador dos estádios ou ouvintes das estações de rádio”.
E já no inicio da década de sessenta as dificuldades dos árbitros e dos jornalistas radiofónicos era semelhante como podemos verificar ao ler o artigo de Mário Cília “ Podemos, pois, afirmar que, neste pormenor, os homens do apito e os homens do microfone são as grandes vitimas da paixão desenfreada que, por norma, é característica fundamental do adepto do jogo, e no qual habita sempre – ou quase sempre – um clubismo extremista”
E diz mais adiante o articulistas “ a ambos se exige um julgamento quase imediato e exacto (exacto em relação à feição clubista de cada espectador, note-se... ) um alheamento completo do ambiente febril que o rodeia, estoicismo perante os insultos com que tantas vezes, são minoseados e , pior que isto tudo, que “puxe” para seu clube”
A diz mais Mário Cília “ a maioria das vezes, a derrota do seu clube é atribuída pelo espectador – clubista ao árbitro e ao relator desportivo; ao primeiro porque, evidentemente “ estava vendido” e ao segundo porque é faccioso que toda a gente sabe que “torce” descaradamente pelo Benfica, pelo Sporting ou pelo Belenenses”.
Sem pretender dizer que os árbitros nunca erram ou que os jornalistas têm a verdade total, isso não é verdade os árbitro e os jornalistas erram, e pelo simples facto de serem humanos, mas é importante que se refira a dificuldade de uma e outra actividade até por que como escrevia Mário Cílio “ ... quando nos dizem que os relatores radiofónicos são todos uns aldrabões, costumamos dizer : peguem num microfone e experimente a fazer um relato.
Do mesmo modo nos apetece dizer aqueles que sistematicamente acusam os árbitros “peguem num apito e vão dirigir um jogo”.
É preciso dizer hoje aquilo que o articulista escrevia há 46 anos “ Quando o nosso clube perde, noventa e nove por cento das vezes a culpa não é do árbitro, mesmo que ele tenha errado no assinalar de uma ou outra falta, do mesmo modo que o relator ou comentador radiofónico procura sempre exercer a sua missão com honestidade e sem favoritismo...é que para o homem dos jornais ou da rádio o seu prestigio e a dignidade que deve em todas as circunstancias a si próprio e à sua profissão estão acima – bem acima – da sua inclinação clubista”.
E termina com um frase de ontem de hoje e de sempre “Evidentemente , isto é a regra...há excepções, mas essas servem apenas para confirmar a regra – mais nada...

 

 

 

 

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 Quase nada é novo no futebol

 

Três histórias exemplares
 

De vez em quando há atitudes que sendo normais porque são justas, acabam por surpreender, aqueles que acompanham o fenómeno do futebol, onde cada vez impera mais a mentira a dissimulação o holiganismo dos dirigentes.
Mas, vamos ás coisas boas que por vezes acontecem e que enobrecem quem as pratica. Vamos contar três histórias, uma actual e duas de 1963, que demonstram que ainda como sempre houve pessoas honestas no futebol e que devem ser um exemplo para todos.
A história actual aconteceu no jogo de juniores entre os Canaviais e o Bencatelense, que faça à ausência do árbitro foi dirigido pelo Presidente dos Canaviais, José Ourives, também ele um antigo árbitro e que se dispôs a ajudar a festa do futebol.
Pois bem, a formação dos Canaviais, ainda não tinha vencido qualquer jogo, os jovens precisavam de um resultado positivo para moralizarem, e por isso entregaram-se ao jogo com grande determinação, tendo chegado ao final do tempo regulamentar a vencer por três a dois.
O árbitro deu mais quatro minuto (?),e mesmo sobre o ultimo minuto dos descontos aconteceu uma falta dentro da área dos Canaviais e o árbitro assinalou grande penalidade, que os forasteiros converteram tirando assim a possibilidade dos jovens dos Canaviais de vencerem o jogo.
O árbitro e Presidente dos Canaviais não se livrou de algumas criticas e de algum ar de espanto por parte daqueles que estão habituado a ver o futebol como um mundo de enganos. Este homem deu um bom exemplo, ajuizou da forma que viu o lance e assim dignificou o futebol.
As histórias de 1963 aconteceram em Castelo Branco num jogo decisivo para a equipa local e para a Sanjoanense, que ocupavam os últimos lugares da tabela, a dois minutos do fim estavam empatadas a zero, quando num lance confuso, quando na grande área dos forasteiros, os jogadores e público reclamaram uma grande penalidade, por alegada mão de um jogador. Como se calcula os protesto eram muitos e iam subindo de tom, foi então que o extremo direito da equipa da casa chegou junto do árbitro e confessou-lhe “ O senhor esteja tranquilo porque fez muito bem em não marcar a grande penalidade, pois fui eu que empurrei o jogador adversário obrigando-o tocar involuntariamente com a mão na bola, por isso não faça caso dos protestos do público”.
A outra historia aconteceu no derby algarvio de juniores entre o Olhananse e o Farense. Como em todos os derbies as emoções são muitas e muitas vezes o público incentiva os jogadores a atitudes menos correctas, foi o que aconteceu o que levou um jogador do Farense sem que a bola estivesse ao seu alcance ameaçar e a agredir a soco um seu adversário.
A cena foi presenciada pelo árbitro que naturalmente expulsou o jogador. No final da partida o delegado do Farense, entrou na cabina do árbitro e indagou o juiz de campo sobre os motivos da expulsão. Dada a maneira um pouco ríspida como o delegado falou, o árbitro recusou-se a divulgar os motivos da expulsão.
Após uns minutos o delegado voltou-se para o árbitro e disse “ Agradeço-lhe que me diga o que fez o jogador do meu clube, porque ele é meu filho e, além da sanção que a FPF, lhe vai impor, ainda o quero castigar pela sua incorrecta atitude, como jogador e como meu filho”.
Estas três historias mostram porque afinal o futebol continua a ser o desporto rei, é que há gente que o dignifica.

 

 

 

 

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 Quase nada é novo no futebol

 

Juiz
 

No futebol e na arbitragem tudo se repete, ou como diz o nome desta rubrica, quase nada é novo. Por isso falar do árbitro ou melhor dizendo juiz de campo, pois ele faz cumprir as leis do futebol. É, que o futebol tem leis tem regras embora muitos parecem que esquecem este pormenor que faz toda a diferença.
Hoje vamos falar do juiz de futebol e, para exemplificarmos que nada é novo, socorremo-nos de um artigo publicado em 1967 pelo Capitão Pires Duarte. E, começa por escrever o articulista “Juiz, uma palavra tão pequena, formada apenas por quatro letras, mas que encerra tanta responsabilidade e, por vezes certa honra”.
E o Capitão Pires Duarte iniciava a sua dissertação sobre o juiz de campo por fazer justiça “ felicitar os que tão heroicamente se prontificam a exercer uma função tão ingrata, mais ingrata que difícil e, muito especialmente, por razões sobejamente conhecidas, nem sempre bem compreendidas”.
E vai mais longe o articulista “ Todos podem errar. Os jogadores, com responsabilidades profissionais; os dirigentes resolvendo sossegadamente sentados à secretária; os críticos, regularmente instalados e apreciando calmamente o desenrolar do jogo; mas o árbitro, que tem de julgar rapidamente e no momento próprio com uma atenção excepcional nos jogadores e nas jogadas, por vezes numa altura em que aquelas, inesperadamente, mudam de ângulo de observação, não pode errar porque se tiver essa infelicidade, cai sobre ele o “Carmo” e a “Trindade”.
A sua situação é tão ingrata que actuando bem durante oitenta e nove minutos vê o seu bom trabalho esquecido porque, num minuto, deixou de observar determinada ocorrência.
Temos de concordar que é pesaroso, depois de tanto esforço, não lhe ser ressalvada a falta”. O Capitão Pires Duarte continua a sua dissertação escrevendo que “ A apreciação do trabalho do árbitro, parece-nos, deverá ser a média da sua actuação durante os noventa minutos do jogo; não estejamos de faca afiada para tentando mostrar os nossos conhecimentos ofuscar aquele trabalho, focando, em realce, o que se passou numa fracção de segundo.
Porque não dar à critica, indispensável e útil, quando construtiva, um aspecto de conselho amigo, de quem observa de maneira diferente, a considerar e muito de respeitar, sem constituir censura?”.
E termina o Capitão “ Acreditamos que também nós tenhamos errado nesta nossa apreciação, mas também esperamos que sejamos desculpados – é uma opinião muito pessoal, sujeita a apreciação diferente que consideramos e respeitamos.
Discordem mas não censurem. Aos árbitros pedimos que ajudem, pois da colaboração de todos resultará algo de útil para a causa da arbitragem”
Ajudar os árbitros é o que se pode desde sempre, mas também desde sempre são os principais interessados no futebol que mais gasolinas deitam para a fogueira…não é assim?

 

 

 

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 Quase nada é novo no futebol

 

Entrevistas rápidas
 

Quase todas as semanas ouvimos declarações de treinadores a queixarem-se da arbitragem, normalmente acontece sempre que os resultados não satisfazem as pretensões desses responsáveis.
Hoje essas declarações têm uma maior visibilidade, até porque as chamada entrevista rápida após o jogo, é ideal para a justificação do insucesso da equipa, para além disso a desculpa serve para acalmar os adeptos e muitas vezes coloca-los contra aquele que não tem ninguém para o defender. O árbitro.
Este tipo de atitude por parte dos treinadores não é nova, é quase tão antiga como o futebol e sobre este tema, em 1967 José Sampaio escrevia:
« Não sabemos se os treinadores portugueses (ou ao serviço de equipas portuguesas) supõem que nos dão uma grande novidade quando publicamente, nas pequenas entrevistas que se fazem após os jogos, desancam o nível da arbitragem nacional.
De resto, o clima em que está a viver a arbitragem é de tal forma ostensivo que nem o mais humilde dos adeptos do futebol – aquele que lá vai “quando o rei faz anos” – ignora que, de facto, são cada vez mais frequentes os lapsos atribuíveis à arbitragem e que esse clima é nefasto para o futebol português”.
Para quem só leu este parágrafo, é importante dizer que esta crónica, não é de 2006 é de 1967, continuando a citar José Sampaio “ ...De qualquer forma, é igualmente necessário que o homem que, domingo a domingo, protesta na sua bancada contra os erros de arbitragem não continue , inconscientemente, a ser um “pau mandado” de opiniões alheias bastante suspeitas.
Realmente “ pomos o preto no branco” denunciando as campanhas que se têm desenvolvido contra a arbitragem, excitando lamentavelmente a opinião pública afecta a esses clubes. E temos agora que denunciar a deplorável moda que se instalou no nosso meio com os treinadores a afazer, no final de cada encontro uma critica desapiedada à decisões do árbitro. Quando a sua equipa perde claro, já que quando ganha está tudo muito bem.
E vai mais longe o articulista “ Mas é muito mais triste que neste estado de coisas certos treinadores esqueçam quanto à sua posição o mau exemplo disciplinar que fornecem aos seus pupilos acusando publicamente um homem que finalmente é a autoridade do jogo...se eles pretendem dessa forma desculpar os insucessos das suas equipas que se desenganem. Apesar das paixões desbragadas e dos raciocínios precipitados, os seguidores de uma determinada equipa acabam sempre por vislumbrar as verdadeiras razões dos seus insucessos...”
Pois é já em 1967 a critica muitas vezes exagerada ao trabalho dos árbitros por parte dos treinadores no final dos jogos era discutida, hoje este tema é ainda actual, até porque os pressupostos não se alteraram , o futebol vive da emoção e muitas vezes esta sobrepõe-se no imediato à razão, que no entanto prevalece mais tarde ou mais cedo e aí os bons treinadores ficam e os maus, por mais que atirem culpas a terceiros saem. Ontem como hoje.

 

 

 

 

 2 de Janeiro de 2006

 Quase nada é novo no futebol

 

Protestar!

 

Não há dúvida nenhuma que protestar é uma moda que pegou e hoje não há ninguém que não proteste. Aliás, protestar é nos dias que correm, uma forma de afirmação, que é legítima se for regida pela verdade e não for apenas gratuita.

O problema é que muitas vezes os protestantes, são eles próprios o garante do sistema contra quem protestam. Mas, desenganem-se aqueles que pensam que é de hoje o protesto ou que é de hoje o protesto mal direccionado. Desde sempre no futebol, os que protestam parecem ignorar ou ignoram mesmo o que está em causa quando o fazem.

Em 1964, João Gomes, um árbitro do Porto escrevia o seguinte contra os protestantes: "Amiúde se ouvem e lêem verberações e acusações aos dirigentes dos diversos departamentos desportivos. Todavia elas são destituídas de qualquer razão, porque na maioria das vezes os descontentes são vítimas de si próprios." E vai mais longe ao afirmar que "triste panorama do pobre desporto, em que se arranjam lugares para homens, quando se devia escolher os homens para os lugares." Esta frase não é de hoje, é de 1964, e, no entanto, permanece extremamente actual.

João Gomes explica então a sua teoria: "Ainda há dias conversando com um amigo que já não via há bastante tempo, a breve trecho falámos de desporto e do seu clube, de que tem sido por diversas vezes director, tendo ele replicado que já pouco ligava ao desporto, desiludido e desgostoso com diversos casos...".

Depois de ouvir os lamentos do amigo, o articulista resolver esclarecer este dirigente desportivo comentando "Olha, não tens razão nenhuma. Queres ver: do que se passa nas Associações, Federações, Conselhos Técnicos, etc, sejam de que modalidade for, a culpa é vossa, tua e dos teus colegas. Quanto aos árbitros, é certo que haverá uns mais competentes do que outros, aliás como em todas as actividades da vida, mas ainda disso a culpa continua a ser vossa. Ele arregalou os olhos e eu nem o deixei falar.

Queres saber porquê? Quem elege as direcções das Associações? São os delegados dos clubes, respondeu ele. Quem elege os Conselhos Técnicos, as Federações, etc? Como vês todos os cargos da escala hierárquica desportiva são providos, directa ou indirectamente pelos clubes.

Ora, sendo assim, que razão vos assiste para protestar contra o que julgais menos acertado? Tivessem os dirigentes dos clubes a necessária ponderação e a indispensável personalidade para recusar a eleição de indivíduos que não reunissem um apreciável somatório de qualidades, e o desporto nacional caminhava muito melhor."

E João Gomes rematava "razão de queixa temos nós, a quem nos são impostos dirigentes, sem que sejamos ouvidos para eleger quem quer que seja, tendo de aceitar quem os clubes querem nomear...".

Como se vê protestantes há muitos, ontem como hoje a maior parte das vezes protestam sem razão, por desconhecimento, porque não acredito que protestem por má fé... mas no entanto vão fazendo um ruído que afasta as pessoas da resolução dos verdadeiros problemas do desporto português.

 

 

 26 de Dezembro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


 

O capitão de equipa

 

Quantas e quantas vezes assistimos à indignação de um jogador de futebol que, por acaso é capitão de equipa, ao ser punido com um cartão amarelo por discutir a decisão do árbitro.
Esse jogador, por palavras e actos, tenta, por vezes, mostrar aos adeptos que está com a razão e que o facto de ter a braçadeira de capitão lhe confere a possibilidade de discutir a decisão do árbitro.
O pior, é que os adeptos, levados ao engano pelo jogador, se insurgem contra o árbitro quando na realidade é o juiz do jogo que tem razão. Nenhum jogador pode discutir as decisões do árbitro.
Este tema não é novo embora continue a ser necessário esclarecer os adeptos e infelizmente alguns jogadores que não conhecem as leis do jogo.
Já em 1961, Francisco Pinto escrevia sobre o tema que ele mesmo achava já ser um pouco repetitivo. Vejamos então o que ele escrevia: “Por mais que se escreva e fale nunca é demais batermos na mesma tecla para chamarmos à atenção dos homens destinados a capitanear uma equipa, que não podem dirigir-se aos árbitros para discordar das decisões que sé ele pode julgar à face a lei.
E acrescentava Francisco Pinto “Há, no fundo disto, homens que tem tais missões a cumprir, que compreendem, meditam e raciocinam e, por conseguinte, a estes não lhes servirá, de certo modo, estas palavras.
Mas, para aqueles que não reúnam tais publicados (quando assim acontece não devem ser nomeados) são sempre boas tais recomendações para o seu prestígio. O articulista transcrevia então a Lei V (conselhos aos jogadores) que dizia o seguinte: “Não discutam nunca as decisões dos árbitros, porque em questões relacionadas com o jogo elas são irrevogáveis. Se surgir alguma discussão tomem sempre o partido do árbitro.”
Depreende-se disto tudo - escrevia Francisco Pinto – “que o jogador não está autorizado a comentar as decisões do árbitro” e adiantava que “os árbitros concordam plenamente que, se jogador com tais missões se dirigir correctamente, têm o dever de procurar esclarecê-lo, tanto mais que a maior parte destes desconhecem completamente tais normas.”
E, já em 1961, segundo Francisco Pinto, a Comissão Central de Árbitros recomendava aos árbitros o seguinte: “Não permitir que as suas decisões sejam discutidas pelos jogadores, nem permitir que estes o rodeiem quando pretendam fazer qualquer reclamação. Neste último caso, se persistirem, devem os árbitros solicitar a intervenção dos capitães.”
E mais à frente, escreve o articulista, “o árbitro nunca deve ter dúvidas em expulsar do terreno tais elementos, que só desprestigiam o decoro futebolístico e a conduta daqueles que andam 90 minutos com o apito, tentando fazer o melhor possível e defendesse tais aborrecimentos.”
Que diria Francisco Pinto se, 40 anos depois, visse que pouco ou nada mudou neste campo… quantas vezes nestas quatro décadas se escreveu sobre este tema. E, quantas mais têm que se inscrever.
 

 

 

 19 de Dezembro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


 

Será velho um árbitro com 45 anos?

 

O excelente árbitro italiano Colina abandonou a arbitragem por ter atingindo o limite de idade, 45 anos. Muitos se questionam sobre se este excelente árbitro não tinha ainda condições física e psíquicas para continuar a dar-nos lições de como se deve dirigir um jogo de futebol.

Pois bem, esta questão a idade limite para os árbitros é uma questão antiga e já em 1957 Raul Martins escrevia sobre o tema e o titulo do artigo era “Será velho um indivíduo de 45 anos?”. E diz ele no seu artigo “Será velho um indivíduo de 45 anos ? Será tão velho como um de 25  ou 30 anos, mas isso só por qualquer condições fisiológica anormal, como regra geral não.

Aos 45 anos adianta o articulista “ sem ser jovem está um indivíduo ainda em plena posse de todos os recursos e a atestar esta ideia temos que alguns dos nossos melhores juizes estão a chegar aquela idade”.

E continua Raul Martins  “efectivamente em minha opinião não julgo acertado que um juiz de campo ande a actuar além dos 50 anos, até mesmo por uma questão de prestigio, mas ordenar obrigatoriamente a retirada ao 45 anos, parece-me medida demasiado drástica”.

E mais escrevia “ No último curso de aperfeiçoamento defendi o ponto de vista exposto e o Exº Sr. Prof. José Esteves, na sua brilhante palestre e como pessoa competente e conhecedora das condições físicas e emocionais dos desportistas foi de opinião que o afastamento aos 45 anos em todos os casos era prematuro, pois que se em alguns se justificava, noutros se verificava que os afastados ainda se encontravam em óptimas condições de poderem prestar à causa da arbitragem excelente contribuição dirigindo jogos de futebol”.

Ontem como hoje o problema persiste até que idade tem um árbitros condições para dirigir um jogo de futebol?
 

 

 

 12 de Dezembro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


 

A violência é um apelo à violência


Nos dias de hoje, já se vai castigando com cartões amarelos aqueles jogadores que simulam faltas e também, já se vai castigando os jogadores e usam violência, mesmo quando a sua acção violenta só é captada pela televisão, os tais sumaríssimos que vieram em boa hora.
Mas, esta “coisa” dos jogadores que entrem em jogo mais preocupados com as ditas jogadas subterrâneas do que com praticar bom futebol, não é de hoje e já, em 1959, Dinis Machado publicava no “Diário ilustrado” um artigo sobre este tema.
E, escrevia Dinis Machado, “Há dias abordámos o problema do jogador de futebol que entra no terreno animado das mais sombrias intenções. Considerámo-lo (e não se pode dizer que tivéssemos descoberto a pólvora com a teoria que defendemos) uma das mais novas venenosas fontes de indisciplina. O jogador mal intencionado, violento e desrespeitador pode ser a origem de tudo o que é nefasto.
Um jogador que sai dos carris da decência nos primeiros minutos (e quantas vezes com aquele apregoado jeito de “saber dar”) para estragar um desafio inteiro. A violência é um apelo à violência, a semente da desordem e o início do caos.
E continua Dinis Machado na sua bela crónica “Claro que há sempre um árbitro para resolver esses problemas. Em última análise uma pessoa pode dizer: pois o árbitro é que teve a culpa. É o ponto de vista essencialmente cómodo, pois é mais fácil bater nas costas de um árbitro do nas costas de um jogador. Aquele é sozinho e este representa uma colectividade.
Muito bem sabemos nós que ao juiz de campo compete regular a disciplina do jogo. Ele tem autoridade (mais de autoridade, tem obrigação) de castigar os desmandos, as violências, os desrespeitos. Teoricamente a tese é facílima de interpretar. Uma pessoa diz que o árbitro expulsa quando tem que expulsar, que se o árbitro tivesse mão de ferro, tudo correria bem. E as pessoas concordam.
Mas começa um desafio de futebol. Aparece a primeira jogada subterrânea, embrulhada no papel da dúvida; aparece a primeira ofensa no ouvido do adversário; aparece um repertório sinistro de atitudes sem classificação, algumas fora do ângulo de observação do árbitro, outras tal modo camufladas que só quem lhes sofre os efeitos poderá falar delas. E aparece o público, quantas vezes induzido em erro pela aparência da jogada.
E continua Dinis Machado “Um futebolista cai no terreno, a contorcer-se, e o público é arrastado, na sua boa-fé, a clamar contra o árbitro. E o árbitro, que não viu a falta, não sabe onde esta a verdade. É que o árbitro sabe que há jogadores que jogam com o público na mão. Jogadores que utilizam os mais indignos recursos. E nós sabemos que o juiz de campo é muitas vezes o culpado de certas paisagens desoladoras. E falta-lhe coragem, autoridade, bom senso e equilíbrio. E falta-lhe também, quase sempre, jogadores correctos”. E termina o jornalista/escritor Dinis Machado “Um jogo de futebol não é só o que um árbitro pretenda que seja. Será também aquilo que os jogadores desejarem”.
De 1959 até hoje muito mudou no futebol, mas as atitudes dos intervenientes, infelizmente, não mudaram assim tanto.

 

 

 5 de Dezembro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


 

São piores os árbitros de hoje?

 

“Não haja dúvidas que não são somente os árbitros que são severamente perseguidos mas também aqueles que os dirigem.

E porquê? Porque foi indicado fulano para aquele jogo, porque não se utilizou uma equipa de consagrados em vez de uma jovem, porque não se puniu aquele árbitro que estragou a carreira daquela equipa etc., etc,. etc. Há sempre porque criticar mas nunca por louvar.”

Não, estas palavras não foram escritos hoje. Mas, poderiam perfeitamente tê-lo sido, porque são actuais tendo em conta as criticas que se fazem ao trabalho dos árbitros. O que está referido acima foi escrito em 1960 por Diogo Manso, e como se pode ver a questão das nomeações dos árbitros, as “jarras”, não são de hoje são de sempre, o que se por um lado acalma os árbitros porque sempre foram e sempre serão criticados, por outro lado deve fazer reflectir quem critica desenfreadamente, que não está a ser nada original.

Mas, há mais. Quantas e quantas vezes ouvimos questionar a qualidade dos árbitros actuais. E, a conversa é sempre a mesma, a qualidade dos árbitros de hoje é menor que a de ontem, há uma crise na arbitragem, os de hoje sabem menos que os de ontem, enfim um a série de questões que são colocadas muitas vezes por quem tem o poder de divulgar as suas ideias, mas que tem pouco conhecimento do que diz.

Aurélio Márcio um dos melhores jornalistas desportivos de sempre, escrevia em 1960 “ Sempre que o Campeonato está no auge ou se sucedem jogos entre as grandes equipas é certo e sabido que o problema dos árbitros emerge no ambiente futebolístico e passa a ser um tema em geral pouco lisonjeiro para os juízes de campo”.

E escreve mais o jornalista “Invariavelmente as conversas convergem insensivelmente para a má qualidade dos árbitros e para o baixo nível das arbitragens. Tal como quando o clube favorito entrou a perder, o adepto, desanimado, afirma – cada vez se joga menos...- também o simpatizante da equipa desfavorecida pelo árbitro num determinado desafio, não se exime de afirmar: vamos de mal a pior no problema da arbitragem.

E mais á frente Aurélio Márcio escreve, “ O meu campo de observação permite-me verificar que se apita hoje tão bem, como há uns anos atrás, num nível bastante apreciável, que de maneira alguma se pode considerar um retrocesso. O que há hoje em dia, isso sim, é maior rivalidade entre os clubes, mais paixão, e também um maior equilíbrio de valores entre as equipas de futebol, motivo porque um erro cometido pelo árbitro, em 1960, o mesmo erro entenda-se, tem maior repercussão do que quanto era cometido em 1939, por exemplo”.

Estas foram as palavras intemporais de Aurélio Márcio, e nós acrescentamos um erro de um árbitro em 2005, tem muito maior repercussão do que quando era cometido em 1960, por exemplo, até porque hoje há muitas câmaras de TV e filmarem até á exaustão os lances.


 

 

 28 de Novembro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


Penalties que parecem ser

 

Melo Costa escrevia em 1970  que “mais vale andar no mar alto que ser árbitro...”. E, escrevia esta frase num artigo em que se concentrava num penalty assinalado pelo árbitro, que afinal não tinha sido, na realidade, grande penalidade.

Na última semana, muito se falou sobre o penalty assinalado pelo árbitro no jogo entre o Sporting de Braga e o Benfica e de que, como todos vimos na televisão, o jogador não fez falta passível de castigo máximo.

Esta situação de erro do árbitro não é de ontem nem de hoje, é de sempre.  O erro vai  existir sempre no futebol e haverá sempre um homem que vai ouvir “das boas”  sobre o erro que comete. Já os outros intervenientes são normalmente poupados pelos erros,  mas é assim a vida de um árbitro.

Voltemos ao artigo de Melo Costa sobre o erro do árbitro: “No Leixões-Sporting, António Amaro por causa do penalty que considerou, ouviu das “boas e bonitas…”. Em nosso entender errou. Para muitos, não somente errou, como e principalmente lesou, de má fé, a equipa. O árbitro conimbricense, pode ser juiz de alta craveira em crer, até, que lhe falta aquele “quid” que distingue os génios, os juízes excepcionais daqueles que, reconhecidamente bons, são só bons.

Mas há um factor que António Amaro parece trazer estampado no rosto, e esse é o da honestidade. Sempre que o vimos actuar, sempre que lhe apontámos reparos - e tantas vezes o fizemos já…, só nos forneceu motivos para mais consolidar em nós a impressão de que, errando, errou convencido que julgou bem, que julgou como devia, face à aplicação das leis e da sua consciência. Não será brilhante, mas é, e quanto vale isso?, estruturalmente honesto.

Neste artigo de Melo Costa, há dois aspectos que merecem reflexão - o primeiro é a denúncia do erro do árbitro, esse aspecto é nos dias de hoje corrente em todos os comentários aos jogos de futebol. Mas, a lição que todos deveríamos tirar do artigo de Melo Costa, escrito em 1970, prende-se com o facto de denunciar o erro do árbitro como erro que é e não tirar, como aliás hoje se faz com toda a facilidade que dá a liberdade de imprensa, conclusões que mais servem os adeptos dos clubes ou as tendências gerais dos leitores. Isto é, o importante é denunciar os erros, que até podem ajudar os árbitros, se estes forem pessoas com capacidade de ouvir as críticas, a melhorar o seu trabalho.

No que diz respeito às insinuações de desonestidade com que facilmente se atacam tudo e todos (aqui no artigo de Melo Costa está o exemplo) o árbitro tem que ser visto como pessoa honesta e, como tal, erra como eram todos os seres humanos. Não se pense, no entanto, que todos somos ingénuos. O futebol de ontem como de hoje move muitos interesses e muitas pessoas não primam pela honestidade, e não são só os árbitros, são os dirigentes, os treinadores, os jogadores, os jornalistas, enfim, em todo o lado há bom e mau. Mas, o que se quer realçar é a honestidade da maioria e não fazer das excepções a regra.

Essa é a missão de quem comunica.

 

 

 

21 de Novembro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


 

Há uma equipa no futebol que não tem adeptos

 

 

Numa partida de futebol há três equipas presentes, duas que vão competir entre si, tentando levar a melhor uma sobre a outra e há uma terceira a da arbitragem que vai tentar fazer com que as outras duas cumpram as regras do jogo.

Numa primeira analise pode dizer-se que as três equipas partem todas em pé de igualdade para fazerem o melhor que podem e sabem. No entanto não é verdade pois, enquanto as duas em competição têm uma parte do público a seu favor a de arbitragem não tem adeptos a seu favor, o que se fosse só isso já era bom.

Esta é uma realidade que faz com que o trabalho dos árbitros seja complicado e mereça desde há muitos anos diversas reflexões. Apesar da melhoria do futebol, da melhor formação dos árbitros, jogadores e dirigentes, apesar dos níveis de escolaridade aumentarem o facto é que os problemas dos árbitros de hoje é igual aos de ontem e provavelmente aos de amanhã.

Mas, apara não estarmos aqui a falar como se diz de cor, vamos ver o que se escrevia sobre o assunto nos anos sessenta.

Assim Trabucho Alexandre escrevia em 1963 “Se há homem que sinta ter vindo ao mundo só para sofrer é o árbitro de futebol, nos campos de futebol, qualquer um, só porque comprou bilhete ou arranjou maneira de entrar no Estádio, julga-se no direito de soltar a lingua e dirigir quantas bacoradas lhe apetece.

E todas (salvo rarissímas excepções) dirigidas ao árbitro. São palavras soltas (e mal soantes...) que, ainda que pareça incrível atravessam o campo e chegam inteirinhas, picantes como alfinetes ou agressivas como navalhas aos ouvidos do árbitro, o homem de quem todos esperam justiça serenidade, isenção e que, afinal todos (ou quase..) tratam como se fosse o mais delinquentes dos bandidos que andam sobre a terra.

Ninguem perde porque jogou mal ou porque o adversário jogou melhor. Parar esses só há um culpado, o árbitro, o indesejável, o pirata, o gatuno, o vendido, º..(ponham o que quiserem...).

E no entanto continua a escrever Trabucho Alexandre “ ninguém reparar que o árbitro é um homem a quem exigem a perfeição de uma máquina (das que não se avariam), um indivíduo que sabe concerteza, interpretar melhor as leis do jogo do que 99 por cento dos que o assobiam, um adepto que, pelo menos gosta tanto do jogo como todos os que compram o seu bilhete, uma pessoa que, como qualquer que se preze, gosta mais de acertar do quede asnear, um juiz (de campo...) a quem quase não se dá um segundo para julgar e proferir a sentença.

Não...nisto ninguém reparar, diz no final do seu artigo Trabucho Alexandre a qual nós acrescentamos não repararam ontem como não vão reparar nunca...
 

 

 

 

 14 de Novembro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


 

Exemplos que devem ser seguidos

 

O  semana que passou ficou marcada pelos comentário que se fizeram às decisões que árbitros tiveram de tomar nos jogos que apitaram.

Não vou aqui analisar os erros cometidos pelos árbitros, esses já foram todos analisados  até à exaustão. Creio que  cada um deverá assumir as responsabilidades, sendo que nesta coisa do futebol, não há super homens, o que existem são seres humanos susceptíveis de errar.

Vou debruçar-me não sobre os protagonistas do erros, os árbitros, mas sobre as atitude que jogadores, treinadores e  dirigentes, muitas vezes tomam em relação a esses mesmos erros. Isto é se a sua equipa beneficia desses erros fica-se em silencio, assobiando para o ar, se por acaso é prejudicada grita-se o mais alto possível, pois fica bem ser-se vitima.

Estas situações não são de hoje, os erros surgiram sempre e irão continuar sempre, porque quem tem de decidir num segundo corre o risco de decidir por vezes mal. O que gostaríamos de ver mais vezes, era uma atitude nobre por parte dos atletas treinadores e dirigentes, de eles próprios darem uma ajuda  para se evitarem erros.

Em 1973, o jornalista Carlos Figueiredo escrevia no saudoso Diário Popular, um artigo em que contava um historia que deveria ser seguida por todos, ontem como hoje. Vamos então recordar a história para que todos a saibam e se possível sigam o exemplo que dela emana.

E no jornal escrevia-se então “Completaram-se agora precisamente 14  anos! No “court” central do Tennistadiom de Estocolmo disputava-se a partida decisiva de um sensacional Suécia – Chile, em eliminatória da Taça Davis. Frente a frente, os melhores tenistas: O escandinavo Ulf Shmidt, e o chileno Luiz Ayala. Nas bancadas, entre um público apaixonado estava o próprio Rei Gustavo Adolfo.

...foi aí que presenciamos, quiçá o mais bela momento desportivo da nossa vida.

Vencendo por 40-15, quando comandava também por “sets” (2 contra um, “à maior de 5), ao chileno bastaria ganhar aquela bola para se gabar de ser o primeiro estrangeiro a bater o menino querido dos suecos no seu próprio país.

E, simultaneamente, a Suécia seria eliminada pelo Chile da famosa competição. Por isso mesmo. Ayala “ carregou “ a fundo e colocou a bola com precisão milimétrica, beijando a linha do corredor direito de Shmidt.

A bola fora tão rápida e precisa que ficaram certas dúvidas nos espectadores. O juiz de linha responsável, entretanto levantou a mão e gritou “out!”, isto é, considerava que a bola batera fora do risco.

...E ante o pasmo bem latino nosso e de Luiz Ayala, o louro sueco, muito calmo, avançou para o local onde a bola tombara e apontou-o ao árbitro com o cabo da sua raquete, exactamente da parte de dentro da linha lateral, esclarecendo “ a bola foi boa”.

Isto só por si, meus senhores já bastaria para nos arrebatar. Porém, quando vimos e escutámos, aquele público de alguns milhares de suecos, penalizados pela queda do seu ídolo ( e eliminação da sua equipa nacional) mas aplaudindo de pé o campeão chileno, que Ulf felicitava também, confessamos, sentimo-nos esmagados ! Lição maravilhosa de civismo de um público e de um atleta gloriosamente vencido...”

O nosso desejo é que este exemplo fosse seguido nos dias de hoje. Seria muito bom não era?
 

 

 

 

7 de Novembro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


 

Árbitros profissionais

 

 

A questão da profissionalização dos árbitros é já um tema antiga muito debatido e que tem tido ao longo dos anos muitas opiniões contraditórias.

Não vou emitir a minha opinião acerca do tema, vou isso sim mostrar que já em 1958 esta temática era tema de artigos de opinião de pessoas importantes no mundo da arbitragem e que já nesses anos também o adepto anónimo tinha opinião sobre a problemática da profissionalização dos árbitros.

Assim no ano de 1958, o articulista belga Nyster Péter, escrevia sobre os problemas da arbitragem naquele país  “Ninguém ignora que a arbitragem pode ter uma influencia profunda no aperfeiçoamento do jogo. Porque é que então não há personalidades ligadas á arbitragem adstritas aos dirigentes dos clubes?” e continuava o articulista “ a primeira critica que é feita ao árbitros é a severidade com que é visto o seu trabalho em vez de se estudar com os técnicos dos clubes a possibilidade de uma campanha contra os jogadores brutais ou viciados...pede-se igualmente aos árbitros para não prejudicarem o ritmo do jogo...”

Uma da proposta em cima da mesa nesta altura na Bélgica era precisamente a questão da profissionalização dos árbitros e aqui Nyster – Péter, questionava “há vários anos nós dissemos: para melhorar o nível do jogo é necessário pagar aos jogadores. Atingiu-se  o fim em vista? Dizem agora,: para melhorar a arbitragem é necessário pagar aos árbitros?. E porque não aos dirigentes dos comités e aos directores dos clubes? Fazer crer que a remuneração pode melhorar a arbitragem é dar provas de um total desconhecimento da psicologia do árbitro. Existe no coração de todos aqueles q        eu Domingo após Domingo dirigem jogos de futebol em tal desejo de subir de se ver guindado a posição de realce que eles dão durante os 90 minutos o máximo do seu esforço e do seu saber. Jamais a atracação de uma recompensa pecuniária lhe poderá trazer vantagens.”

E, depois de muitos considerandos quer a nível do recrutamentos dos árbitros quer nas questões fiscais Nyster – Péter termina com um apelo aos árbitros “ amigos árbitros continuais a arbitrar porque a arbitragem é o vosso prazer, continuais a arbitrar porque a arbitragem é para vós um excelente exercício físico, continuais a arbitrar porque a arbitragem é certamente para vós como para mim uma verdadeira paixão. Mas, se não tiveram interesse não vos deixeis seduzir pelo dinheiro que já desiludiu tantos dos nossos jogadores, os interesseiros que antes de entrarem em campo pensam antes nas vantagens dos prémios que lhe possam ser atribuídos do que na grandeza do desporto que eles praticam e na beleza do espectáculo que eles vão oferecer àqueles que lhe pagaram para ver”

Voltarei ainda a este tema com outras opiniões , a de hoje refere-se de facto a um tempo é quem o futebol ainda não era a industria que hoje é por vezes mudam-se os tempos...mudam-se as vontades.

 

 

 31 de Outubro de 2005

 Quase nada é novo no futebol


 

Aparelhos electrónicos

 

Na última semana foi noticiado nos jornais a introdução de um ship nas bolas para que não haja erros, aliás a introdução de componentes electrónicas no futebol para ajudar a que cada vez haja menos erros  é uma preocupação de muitos, mas não é nova.

Já em 1959, o jornalista Acácio Correia  escrevia um artigo de opinião sobre esse tema, que agora parece não novo e afinal já tem “barbas”.

Escrevia Acácio Correia “enquanto não se inventar um aparelho electrónico infalível, que tome as decisões absolutamente certas na ordem do milésimo do segundo, um árbitro tem de ser homem e, como tal sujeito a errar como todos os mortais...”

E escrevia mais o jornalista Acácio Correia sobre  aqueles que complicam o trabalho do árbitro “...não falamos já no espectador que vai para o campo só com um olho. O do seu clube, que se revolta contra todas as faltas marcadas contra o grupo da sua simpatia e acha poucas as que se assinalam contra o adversário...eles não têm desculpa, mas merecem um certa desconto, por muitas vezes ignorarem as regras e não serem obrigados a sabe-las...”.

E mais há frente diz “...Agora o que é imperdoável, injustificado e descabido é que os homens que ganham dinheiro, que são profissionais, não saibam as regras do jogo que praticam. Há por aí muitos jogadores de futebol, que desconhecem as leis do jogo que escolheram e no qual muitas vezes atingem  notoriedade. E, são eles que muitas vezes complicam a missão do árbitro, assumindo atitudes despropositadas, que induzem muitas vezes a protestar aquele sector do publico que não conhecendo as regras parte do principio (teoricamente certo) que o jogador as sabe.

Tantas vezes temos visto jogadores protestarem, abanarem a cabeça, rirem, porem as mãos na cintura, por faltas pouco evidentes. E o publico vai atrás dele... Por isso talvez não fosse descabido a par do treino técnico e táctico e físico, o futebolistas tivesse paralelamente, e logo nas escolas de jogadores lições de regras, que muito úteis lhe seriam para si e para os árbitros...isto enquanto não se inventar o tal aparelho electrónico. A sugestão aqui fica ...mexa-se quem achar que o deve fazer.

Isto escrevia Acácio Correia em 1959,  em 2005, continuo a dizer mexa-se quem achar que o deve fazer.
 

 

 

 

 24 de Outubro de 2005

 Quase nada é novo no futebol

 

Fiscal de linha que anulou dois golos ao Belenenses

 

No campeonato de 1964/65, os futebolistas da "Cruz de Cristo", só perderam o sonho da conquista do título quando, com a meta à vista, baquearam no Lumiar diante do Sporting, num jogo marcado por peripécias desconcertantes. O árbitro Domingos Godinho validou três golos aos "azuis", mas um juiz de linha, de nome Rosa, fê-lo anular dois, ameaçando ir-se embora se as suas decisões não fossem acatadas. Foram e o Sporting venceu por 2-1.

Esses eram tempos de amadorismo mais ou menos hipócrita. Talvez por isso o Governo salazarista tenha impedido a selecção de futebol de se inscrever nos Jogos Olímpicos de Londres.

Cândido de Oliveira abespinhava-se com esta falsa realidade e por isso dizia que "os futebolistas portugueses eram, então, amadores que recebiam salário e descontavam dois por cento para o desemprego." E esses salários galopavam a caminho dos mil escudos por mês. E para quem treinava apenas duas vezes por semana ...

 

Decorria o ano de 1950 quando aconteceu outro caso que ainda hoje sucede.

 

Bola dentro da Baliza

 

O Benfica subiu para quatro pontos a sua vantagem sobre o Sporting na Nacional da 1ª Divisão, ao vencer o Olhanense por 2-1. Mas, foi vitória súcia porque o árbitro transformou num pontapé de canto um lance em que a bola esteve dentro da baliza de Rosa!!!


 

Nota: esta história foi baseada num artigo publicado no jornal "A Bola" de 1946.

 

 

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Última actualização: 14-03-2014