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ARQUIVO DE ARTIGOS DE OPINIÃO

 

 


 

Exemplos que devem ser seguidos



Artigo da Semana
Publicado em colaboração com o blogue Apito de Lata



Por José Guerra
joseguerra.oarbitro.com

 


Este artigo convida-nos à leitura de outro artigo, publicado no meu espaço "Quase nada é novo no futebol", no Diário do Sul, em 14 de Novembro de 2005 depois dos casos, nessa época, dos jogos Sporting-Paços de Ferreira e Sporting-União de Leiria, em que, no primeiro, o avançado do Paços meteu golo com a mão na baliza do Sporting e, no segundo caso, o guarda-redes Ricardo foi buscar a bola dentro da baliza, impedindo a validação do golo, não tendo contado nunca a verdade.

Trata-se de um artigo que aborda um desporto que não o Futebol. Trata do Ténis mas com uma "lição maravilhosa de civismo de um público e de um atleta gloriosamente vencido" que se deveria assistir em todas as modalidades.

Esta semana que passou, o guarda-redes do Vitória de Guimarães foi o único interveniente do jogo que terá visto, em primeira mão, a bola dentro da linha de golo mas, em comunicado à imprensa, afirmou não ter visto tal facto. Pena não ser Sueco...
A imprensa, por seu lado, que tanto exige aos árbitros "a confissão" (o próprio árbitro falou à imprensa admitindo o erro), deixa passar impunes as declarações menos verdadeiras dos jogadores como se nada fosse. Com isto não se justifica a atitude dos guardiães do  Sporting e do Vitória que deveriam ter a iniciativa nobre de dizer a verdade, não mais tarde aos jornais e televisões mas no momento do juízo, ao árbitro da partida, dado que este ao "decidir num segundo corre o risco de decidir por vezes mal". A atitude nobre por parte dos atletas, treinadores e dirigentes contribuiria, em muito, para que se evitassem erros como foca o artigo se se segue.

Deixo aqui um trecho, quase integral, desse artigo que referi, de 14 de Novembro de 2005. O nosso desejo é que este exemplo fosse seguido nos dias de hoje. Seria muito bom, não seria?

"Vou debruçar-me não sobre os protagonistas do erros, os árbitros, mas sobre as atitude que jogadores, treinadores e  dirigentes, muitas vezes tomam em relação a esses mesmos erros. Isto é, se a sua equipa beneficia desses erros fica-se em silencio, assobiando para o ar; se, por acaso é prejudicada, grita-se o mais alto possível, pois fica bem ser-se vitima.
Estas situações não são de hoje, os erros surgiram sempre e irão continuar sempre, porque quem tem de decidir num segundo corre o risco de decidir por vezes mal. O que gostaríamos de ver mais vezes era uma atitude nobre por parte dos atletas treinadores e dirigentes, de eles próprios darem uma ajuda  para se evitarem erros.

Com a devida vénia, em 1973, o jornalista Carlos Figueiredo escrevia no saudoso Diário Popular, um artigo em que contava um historia que deveria ser seguida por todos, ontem como hoje.
Vamos então recordar a história para que todos a saibam e, se possível, sigam o exemplo que nela se relata. E no jornal escrevia-se então:

 

«Completaram-se agora precisamente 14  anos! No "court" central do Tennistadiom de Estocolmo disputava-se a partida decisiva de um sensacional Suécia – Chile, em eliminatória da Taça Davis. Frente a frente, os melhores tenistas: O escandinavo Ulf Shmidt, e o chileno Luiz Ayala. Nas bancadas, entre um público apaixonado estava o próprio Rei Gustavo Adolfo.

...foi aí que presenciamos, quiçá o mais bela momento desportivo da nossa vida.

Vencendo por 40-15, quando comandava também por "sets" (2 contra um, "à maior de 5"), ao chileno bastaria ganhar aquela bola para se gabar de ser o primeiro estrangeiro a bater o menino querido dos suecos no seu próprio país.

E, simultaneamente, a Suécia seria eliminada pelo Chile da famosa competição.
Por isso mesmo Ayala "carregou" a fundo e colocou a bola com precisão milimétrica beijando a linha do corredor direito de Shmidt. A bola fora tão rápida e precisa que ficaram certas dúvidas nos espectadores.
O juiz de linha responsável, entretanto levantou a mão e gritou "out!", isto é, considerava que a bola batera fora do risco. ... E ante o nosso pasmo bem latino e de Luiz Ayala, o louro sueco, muito calmo, avançou para o local onde a bola tombara e apontou-o ao árbitro com o cabo da sua raquete, exactamente da parte de dentro da linha lateral, esclarecendo "a bola foi boa".

Isto só por si, meus senhores já bastaria para nos arrebatar. Porém, quando vimos e escutámos, aquele público de alguns milhares de suecos, penalizados pela queda do seu ídolo (e eliminação da sua equipa nacional) mas aplaudindo de pé o campeão chileno, que Ulf felicitava também, confessamos, sentimo-nos esmagados!
Lição maravilhosa de civismo de um público e de um atleta gloriosamente vencido...»"

José Guerra

 

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Última actualização: 14-03-2014